sublinhar

domingo, abril 10, 2005

***Eu vinha para a vida e dão-me dias***

*É esse espaço no espaço em dilatação voluptuosa
que eu procurei e algumas vezes conheci*
como agora...

**Agora é diferente
tenho o teu nome o teu cheiro**


Agora é ainda mais
Tenho o teu corpo e o teu gosto

E naufrágios em lençóis de cetim
E circum-navegações de palavras
E olhares desmedidos
E um certo ângulo das tuas costas nuas
Aprisionado na minha retina.


**Agora é diferente
tenho o teu nome o teu cheiro**
colados ao meu corpo.

E não tenho tempo a perder.



Desde as tardes roubadas, em que mergulhei no corpo de
*um ser que podia ser um deus ou uma mulher*
o meu sexo rivaliza com deus na criação de mundos.

****Agora só desejo abusar de ti naquele
intervalo do “para sempre”****


Uma dessas tardes, estava deitado na cama de costas,
A mão direita segurando um cigarro esquecido,
Julguei ouvir-te dizer:
****sim, parece-me ter visto desenhado
no teu rosto uma boca a vir-se
na felicidade da surpresa.

Permanecemos mortais e lúcidos.****

Ou não.

Quantas vezes podemos morrer juntos sem que os nossos corpos se entreguem aos conspícuos jogos da imortalidade? Suponho que, a julgar pelos olhares e dizeres dos puritanos, fizemos um pacto com o diabo em troca de prazer infinito e alguma paz.



Prazer. Paz. A sabedoria toda.


Pergunto-me:
*O que procuramos será real?*

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*Ant. Ramos Rosa **M. Ant. Pina ***Ruy Belo ****Lídia Martinez

3 Comentários:

  • É uma realidade irreal..

    Por Blogger Margem..., Às 1:57 da tarde  

  • não resisto a deixar aqui um mix que fiz desse poema do ruy belo + outros 2 e versos meus (os que estão fora das aspas) por forma a fazer uma lírica de canção (soa a meio caminho entre fado e balada soul):

    “eu vinha para a vida e dão-me dias”
    vinha com a sede a fome da aventura
    bebi o fel p’la taça da agonia
    há já tanto tempo qu’isto dura

    “cantam” catedrais “ao fim do dia”
    “sou uma posição ameaçada
    e nada nos meus gestos concilia
    o fim do dia com a madrugada”

    “eu vinha para a vida e dão-me dias
    reduzida ao relógio a aventura
    eu próprio me despeço da lonjura
    e troco por desastres alegrias”

    “cantam” vitrais “ao fim do dia”
    cantam n(o) silêncio para nada
    “e nada nos meus gestos” contraria
    o que resta desta festa inacabada

    “impassível ao vão vaivém humano”
    disparo sei lá p’ra quê contra a fachada
    “aqui ando eu perdido de ano em ano
    ó vida noves fora nada”

    “mas cantam e o meu rosto permanece
    e levam-me mais longe os comprimidos
    uma criança diz que me conhece
    os dias começam a ser compridos”

    Por Blogger dale, Às 10:00 da manhã  

  • O que procuramos nunca é real. pelo menos até o encontrarmos. Nesse momento em que passa a ser real, deixa de ser o que procuramos. E partimos na busca de mais um moinho de vento.

    Por Blogger caterina, Às 11:54 da manhã  

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